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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

RENATA BUENO - Deputada ítalo-brasileira (12 de março de 2013 - até atualidade)

Brasileira busca reeleição para Câmara dos Deputados da Itália - 2018


Renata Bueno nasceu na capital brasileira, Brasília, em 10 de novembro de 1979. Filha de Rubens Bueno e Rosemaria Eitelwein Bueno, tem dois irmãos e é a filha do meio.  É uma política italiana e brasileira, elegeu-se deputada italiana pela União Sul-Americana dos Emigrantes Italianos (USEI) no pleito de fevereiro de 2013. Pelo lado da avó paterna descende da família Brustolin, de Nervesa della Battaglia – província de Treviso, na Região do Vêneto. Alberto Brustolin - Bisavô paterno. Pelo lado do avô paterno, descende da família Baise, de Vagli Sotto, localizada na Garfagnana – província de Lucca, Toscana. Ambas migraram para o país tropical no final de 1800 e início de 1900, participando desta grande história da imigração italiana no sul do Brasil. 
Desde cedo seguiu os passos do pai, Rubens Bueno, político paranaense, Deputado Federal pelo Partido Popular Socialista (PPS) e atualmente líder do Grupo Parlamentar Brasil-Itália. Militante partidária desde os 16 anos, sempre acompanhou a vida pública de seu pai e coordenou vários projetos políticos
Tornou-se Bacharel em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná. Daí para frente, o sangue político aliado à vontade de aperfeiçoamento em leis estrangeiras falou mais alto e Renata, com dupla cidadania, foi para Itália atrás de seus sonhos.
Especializou-se em Diritti Umani e Dialogo Interculturale nella Università Degli Studi di Padova.
Em 2008 se tornou Mestre in Diritto Dell”Integrazione e Unificazione del Diritto nel Sistema Giuridico Romanistico – Diritti Europei e Diritto Lattino Americano na Università degli Studi di Roma “Tor Vergata”. Foi eleita vereadora na Câmara Municipal de Curitiba. Seu primeiro mandato como vereadora iniciou em 1º de janeiro. Seu trabalho foi pautado na defesa dos Direitos Humanos e na propagação de cultura com o intuito de formar verdadeiros cidadãos. É precursora do Prêmio Internacional Jovem da Paz, em Curitiba. Como vereadora, criou a emenda na Lei Orgânica para instituir a Comissão Municipal de Direitos Humanos de Curitiba. Neste ano atuou em missão de paz na Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra. Foi ainda conferencista com participação em missões e eventos no Brasil, Itália, Argentina, Venezuela, Paraguai, Uruguai, Chile, Alemanha e China. Um dos pontos altos da sua vereança foi contra a corrupção na Câmara de Vereadores de Curitiba.
Em dezembro, como já participava da política italiana junto ao Partido Democrático foi convidada pelo ex-senador Edoardo Pollastri (in memoriam) a participar da lista USEI (Unione Sudamericana Emigrati Italiani) para concorrer às eleições ao Parlamento Italiano. Renata é responsável por um diálogo aberto entre Itália, Brasil e demais países da América do Sul. Ela representa legitimamente a “voz” de cada cidadão que tem na Itália suas raízes.
Em 2013, fevereiro, elegeu-se com mais de 20 mil votos como a primeira brasileira nata com dupla cidadania a ter um mandato na Itália. Tomou posse em 13 de março, fazendo parte da Comissão “Affari Esteri e Comunitari". Como parlamentar trilha caminhos políticos internacionais, luta pelos direitos das mulheres, é contra o racismo e é a favor de que cidadãos condenados sejam transferidos ao seu país de origem.
Sua principal bandeira como deputada ítalo-brasileira é representar os italianos que moram na América do Sul (principalmente os duplos cidadãos que vivem na circunscrição). Renata é responsável por um diálogo aberto entre Itália, Brasil e demais países da América do Sul. Ela representa legitimamente a “voz” de cada cidadão que tem na Itália suas raízes.
Foi nomeada Presidente da Sessão Bilateral Itália-Brasil (UIP). Fez parte do Comitê Permanente de Direitos Humanos. Renata Bueno leva do Brasil à Itália a Lei Rouanet, hoje art. N. 1 da cultura italiana. Lei está que possibilitou a recente reforma do Coliseu, principal monumento italiano. Em Roma, no Palácio Montecitorio, Renata Bueno tornou-se líder parlamentar no terceiro ano de mandato, quando assumiu a presidência da bancada USEI-IDEA (que nasce no segundo semestre de 2015). Sendo também atualmente vice-presidente do Grupo Misto. Em agosto, foi decisiva na adesão do Brasil na Convenção da Apostila de Haia, que simplificou significativamente os processos de reconhecimento de cidadania italiana aos ítalo-brasileiros. Aprovou uma emenda de 2 milhões de euros destinados aos consulados italianos na América do Sul, para que pudessem prestar um melhor serviço à população. Brasileiros que fizeram graduação ou pós-graduação no exterior levarão menos tempo para validar seu diploma no Brasil. A questão dos títulos de estudo estrangeiros no Brasil foi uma das primeiras batalhas que Renata Bueno assumiu desde o início de seu mandato de parlamentar italiana, em 2013. Ter contribuído para a resolução desta questão é de fundamental importância na relação entre Brasil e Itália. Idealizadora do Instituto Cidadania Italiana, para dar assistência aos cidadãos que buscam seus direitos. É doutoranda em Diritto Dell”Integrazione e Unificazione del Diritto nel Sistema Giuridico Romanistico – Diritti Europei e Diritto Lattino Americano nella Universitá degli Studi di Roma “Tor Vergata”. Em 1° de agosto, ainda no Grupo Misto, começa a fazer parte da componente Civici e Innovatori per l'Italia.
Primeira cidadã nascida no Brasil a tornar-se deputada no Parlamento italiano, Renata Bueno é defensora dos Direitos Humanos e das liberdades individuais. Neste sentido, atua politicamente na América do Sul, denunciando, criticando e opondo-se a qualquer forma de opressão. Na Itália, Renata representa os interesses dos ítalo-descendentes e prega o fortalecimento de soluções conjuntas entre os povos e suas diferentes culturas para os problemas da era globalizada que vivemos.

Escritório na América do Sul
Paola Andri
Rua dos Funcionários, 26 - Cabral
CEP: 80.035-050 - Curitiba - Paraná - Brasil
+55 (41) 3076-4780
renatabueno@renatabueno.com.br

Gabinete em Roma
Susanna Galli
Palazzo Valdina - Piazza in Campo Marzio, 42
CAP: 00186 - Roma - Italia
+39 (06) 6760-5400
bueno_r@camera.it

Sede do Parlamento Italiano
(para envio de correspondência)
Camera dei Deputati
Palazzo Montecitorio
CAP: 00186 - Roma - Itália

Telefones de emergência para brasileiros na Itália

Plantão consular em Roma: (+39) 333 1184 682
Plantão consular em Milão: (0039) 335 727 81 17

Fonte: http://www.renatabueno.com.br/pt/perfil


CAROS AMIGOS (AS), BRASILEIROS (AS) COM NACIONALIDADE ITALIANA E OS ITALIANOS QUE RESIDEM NO BRASIL:

A Deputada ítalo-brasileira RENATA BUENO está concorrendo à reeleição, lembrando que ela é a primeira deputada nascida no Brasil a representar a América do Sul, no Parlamento Italiano.
Nos próximos dias os brasileiros com nacionalidade italiana e os italianos que residem no Brasil irão receber em sua casa um envelope contendo duas cédulas oficiais, uma para o Senado e outra para a Câmara dos Deputados.

PARA VOTAR NA DEPUTADA RENATA BUENO, VOTE ASSIM:

1º - Marque um X na Lista CIVICA POPOLARE

2º - Escreva o nome da deputada RENATA BUENO

3º - Escreva mais um nome de um (a) candidato (a) deputado (a) a sua escolha. ATENÇÃO: Para seu voto ser válido, ambos os deputados PRECISAM ser da mesma lista, a CIVICA POPOLARE. Caso o voto seja em candidatos de listas diferentes, ele SERÁ ANULADO.

4º - Escreva um nome DE SENADOR A SUA ESCOLHA. A CIVICA POPOLARE possui dois nomes: Helena Montanarini e Fernando Mauro Trezza.

Pronto. Desta forma você estará ajudando para que a deputada ítalo-brasileira RENATA BUENO continue representando a América do Sul no parlamento italiano.

É MUITO IMPORTANTE
O envelope com as cédulas, depois de votadas, deve ser devolvido aos Correios até o DIA 20 DE FEVEREIRO. Lembrando que não precisa selar, pois a postagem já está paga.

Entrevista


Redação Oriundi - E, por último: A cidadania italiana no exterior é um status que dá direito e deveres a quem a possui. Quais deveres a senhora destacaria?


Renata Bueno - Todos os cidadãos italianos, independentemente de estarem dentro ou fora da Itália, têm direitos e deveres, que são praticamente os mesmos daqueles que residem na Itália, uma vez que o cidadão italiano, mesmo residente no exterior, é igual a todos os demais. Os direitos, então, repetindo, são iguais e os deveres também, começando por dever tutelar a pátria italiana, ter amor e respeito e também votar. Eu acho que este é um grande passo que a Itália conquistou no início desta década, o voto no exterior, então eu acho que há este grande dever do voto, que significa um grande respeito pela pátria Itália. Não somente ter um documento italiano para poder viajar, mas também um comprometimento com a pátria italiana. 

No Brasil isto não é diferente, a maioria das pessoas que são duplo-cidadãos, claro que têm um grande amor pela Itália e uma grande relação com a cultura italiana, com a promoção da italianidade aqui no Brasil, acho que a gente ganha muito com isso, refazendo os laços entre a Itália e o Brasil. Principalmente a nova geração, vejo que tem buscado refazer a história da sua família com a Itália, justamente para aproveitar esta oportunidade de ser um cidadão italiano, para poder se relacionar com o mundo, principalmente com a União Europeia. Então, eu acho que os deveres são muitos, tenho dito isso inclusive nos lugares onde vou, em todos os encontros no Brasil e demais países da América do Sul porque os italianos no exterior sempre receberam muitos subsídios do governo italiano e dos estados italianos para promover as associações, a cultura, os projetos sociais em nome da Itália, aqui no exterior. Mas, tendo agora estes fundos diminuído, precisamos nos dedicar nós à Itália, acredito que tenha chegado o momento de retribuir tudo aquilo que a Itália fez por nós. Acho que seria esse o maior dever hoje dos cidadãos italianos que vivem no exterior.

Fonte da entrevista: 

http://www.renatabueno.com.br/pt/noticias/renata-bueno-cidadania-italiana-voto-no-exterior-e-eleicoes-2018









sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Lino Vitoriano de Almeida - Lino Pintor - [IN MEMORIAM], Nova Londrina/PR

Esposa: Maria Anália dos Santos Almeida  (dona didi) popular 

Filhos:

1 Aparecido Augusto Almeida [Cido]
2 Orlando dos Santos Almeida 
3 Sérgio dos Santos Almeida 
4 José Lino dos Santos Almeida 
5 Miguel Ângelo dos Santos Almeida 
6 Juliana dos Santos Almeida


Autor da letra da música: RAINHA DO NOROESTE, na voz de Jones e Emerson e de poesias:


Lino, as irmãs e seu pai - primeira moradia em 1964 – Nova Londrina/PR

Lino pintor e a família da casa japonesa
Primeiro festival sertanejo na quadra amarela (in memória Lino pintor), lançamento da dupla Valdir e Gilmar. Foto: família do Lino.  Maria mulata. Augusto Arraes, Batista Faria – da rádio pontal, etc.
  

Lino pintor e Fátima Salame 

Lino e a filha Juliana - 1 ano do CTG 3 Fronteiras
de Nova Londrina, Estado do Paraná

Fotos e informações: Aparecido Augusto Almeida [Cido]

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

AUMENTAR IMPOSTOS NÃO É A SOLUÇÃO, GERA RAIVA E DESCONFIANÇA


          Tributo é tudo aquilo que o governo arrecada para si para que possa prestar serviços públicos essenciais aos seus cidadãos, como educação, saúde, segurança, entre outros. Esta arrecadação ocorre por meio de alguns tipos de cobranças que o Estado tem o direito de fazer sobre seus cidadãos, como Imposto de Renda, INSS, IPTU, IPVA, Imposto sobre Importação, entre muitos outros. Estas cobranças são subdivididas em três tipos: impostos, taxas e contribuições.

          O poder público brasileiro continua oferecendo péssimo retorno aos contribuintes, no que se refere à qualidade do ensino, atendimento de saúde pública, segurança, saneamento básico, entre outros serviços. Por isso, aumentar impostos é uma afronta à população, que vive indignada. A maioria dos governantes, nas três esferas, o faz, para sanar as próprias contas públicas que não fecha o seu mundo contábil, por gastos astronômicos, dinheiro malgasto, obras inacabadas e a corrupção.

          O povo está cansado de pagar as contas de governos incompetentes, inoperantes e corruptos. Ao invés de aumentar impostos, a preocupação deveria ser outra: enxugar a máquina administrativa, atrair empresas para dar empregos e melhorar a qualidade dos serviços públicos, isso sim, seria louvável. 

          Ao invés de cobrar a tarifa de transporte para os nossos estudantes universitários, devia se pensar num projeto maior: isentar a tal taxa e priorizar o ensino superior para que nossos acadêmicos tenham ânimo para estudar e para se qualificarem e se prepararem para um futuro melhor de sua vida e de seu país. O Estado não pode ser o causador do fim do sonho UNIVERSITÁRIO, ao contrário, tem que ser o incentivador, o sustentáculo, e dar condição para tal realização. A gratuidade desse transporte é um dos fatores relevantes para que o sonho do ensino superior continue aceso dentro do coração do nosso acadêmico; terminar com essa esperança é fechar a porta do futuro educacional para a nossa família, para o nosso filho e para o nosso país.

          Aumentar impostos não é a solução, gera raiva e desconfiança. O povo não aguenta mais pagar por tanto imposto e não ter o retorno em forma de serviços públicos de qualidade. Governo que aumenta impostos, num país como o nosso, que já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, é incompetente, desumano e não tem plano de governo compatível com o seu cargo, deveria renunciá-lo. Aumentar impostos é escravizar uma população que há muito vive sofrida e desamparada pelos serviços de má qualidade do setor público brasileiro.


Prof. Osmar Fernandes, 09/11/2017

Código do texto: T6167019 

sábado, 21 de outubro de 2017

O Anjo Loiro - conto



           Em Santana do Sul, cidadezinha do interior, o mundo parecia ter parado ali. A base de sua economia provinha da agricultura. De pouco comércio, fábricas de fundo de quintal, de pouco mais de l.500 (um mil e quinhentos) habitantes – a maioria morando na zona rural – vida pacata. Conhecida como a cidade dos aposentados (de salário mínimo). Na zona urbana quase todo mundo era funcionário público. Da região do vale da boca de fogo era a esquecida. Morava ali muita moça bonita e quase nenhum rapaz.
          A única escola de ensino médio estava condenada a fechar, devido a pouca frequência. Só havia alunas. Os alunos nessa idade mudavam-se, iam embora em busca de trabalho e cursos técnicos em outras cidades.
          Com o passar dos anos essa situação agravou-se, criou um problema social, emocional e familiar. Os velhos estavam morrendo; a taxa de natalidade quase foi extinta – percentual quase zero. Era um nascimento esporádico a cada cinco ou seis anos. O desespero das moças virgens, das titias, era de dar dó, de  se ficar embasbacado.
          Santana do Sul estava virando um deserto, uma cidade tipicamente fantasma, assombrada, esquecida num canto sem importância, no meio do nada, do mapa do mundo. Viam-se velhos aposentados papeando e ou jogando baralho nas praças públicas e nada mais.
          A bela moça donzela já não passeava... Não tinha lá fora um olhar que atraísse sua atenção, seu desejo, tudo era muito quieto demais. O silêncio invadia o desespero de sua alma. Não havia juventude, tudo era velho em demasia, não havia animação, nem vida, nem prazer.
          Era a cidade dos esquecidos. A única esperança era tornar-se maior de idade e fugir de casa. Coisa que uma ou outra se atrevia pôr em prática no ápice da desilusão.
          Certo dia, Edviges, moça pura, que nunca desejou ser freira, recebeu um aviso em sonhos de sua amiga do peito, Isabela Caputte, dizendo que estava muito doente, que ardia em febre, que ia morrer. Diferente dela, Caputte sempre foi mais extrovertida, e tinha ideias avançadas para o seu tempo. Edviges, aflita, como se ouvisse os clamores da colega por telepatia, num pestanejar, sentindo algo estranho, um calafrio, resolveu visitar a amiga pessoalmente.
          Quando já estava no portão de sua casa, dona Marcelina, sua mãe, conversava com dona Sofia Geara – senhora rígida aos moldes dos tempos idos – muito conceituada. Dona Marcelina, vendo a filha meio abatida, chamou-lhe a atenção, dizendo: - Onde vai a essa hora Edviges? Já é muito tarde para moça de família sair. No meu tempo, a essa hora eu já estava no último sono. Edviges respondeu à mãe: - Vou à casa de Isabela, mãe. Ela anda doente, está ardendo em febre.  Não se preocupe, nem espere por mim. Vou passar a noite lá, mas, volto a tempo de ir para o colégio, tá?
          Sua mãe advertiu-lhe, dizendo:- Edviges, minha filha, chame seu pai para acompanhá-la. Está muito tarde para ir só. Moça que anda na rua a esta hora sozinha, fica mal falada, cai na boca maldita do povo. Dona Sofia Geara, ouvindo aquela conversa entre mãe e filha, intrometeu-se, dizendo:- Sua mãe tem razão. É muito perigoso andar sozinha, já é tarde.  Pode encontrar um louco na rua ou um tarado... Deus me livre! A gente nunca sabe o que há por detrás da cortina da noite, minha filha, cuidado!
          Edviges, morrendo de tanto rir, disse:- Dona Sofia, pelo amor de Deus! Desse jeito a senhora ainda me mata de tanto rir. Nesta cidade nunca acontece nada, parece cidade dos mortos vivos... Nunca ouvi dizer que alguém foi atacado por aqui.
          Dona Marcelina, rindo junto com dona Sofia, disse à filha:- Vá com Deus, minha filha! Não se esqueça que amanhã você tem prova. Volte bem cedinho, a mamãe vai lhe preparar aquele café colonial.
          Edviges, partiu, e quando estava a cinquenta  metros do cemitério, ouviu um elogio sair de uma voz  melodiosa, dizendo:- Das donzelas és a mais bela... "Todo gosto é gostoso, se eu gosto, eu desejo, mas, se o desejo, não vejo, sei que é pecado".
          Ela ficou enlouquecida e enfeitiçada. Nunca havia sido paquerada, sentiu-se “poderosa”, e correu o olhar para descobrir quem era o dono daquela voz que parecia tão jovem. Continuou a caminhar, agora, a passos lentos, faceira, quando, na esquina, através da penumbra da luz da lua, deparou-se com um belo rapaz de cabelos louros encaracolados. Foi encanto de moça donzela à primeira vista, suspirou, profundamente, não acreditando no que via, e quase desmaiou. Sussurrou, maravilhadamente, e disse: -Quem é você? Nunca lhe vi por aqui. É parente de quem ? O rapaz nada respondeu, hipnotizando-a, e, dominando-a, beijou-lhe a boca. Foi o primeiro beijo de Edviges. Ela ficou estonteante, esvoaçou pelas nuvens. Ele a levou mais adiante, e, no meio do mundo, no ninho da vida, deitou-a, amou-a, voluptuosamente, como um verdadeiro amante.
           Às dez horas da manhã, assustada, com o sol em seu rosto, despertou de seu sono profundo, viu-se nua, e seu subconsciente lhe confidenciou: “Foi sonho, devaneio ou foi real?” Meu Deus! O que me aconteceu?
           De repente, ao se vestir, sentiu algo estranho. Seu corpo estava leve como uma pluma, algo estava diferente, não sabia discernir o que era. Sentiu um perfume exalar à sua volta. O aroma estava impregnado no seu corpo. Confusa, voltou à sua casa, e lá chegando, ficou surpresa, deu de cara com muita gente, e sua mãe, chorando e desalentada, disse-lhe: - Minha filha, pelo amor de Deus! Onde você estava, até agora? Quase morri de tanta preocupação. Todo mundo estava à sua procura.  Seu pai está  de cama por sua causa. Onde você dormiu? Que cheiro é esse?
          Edviges, nada respondeu, como se estivesse em transe. Foi para o quarto e enquanto subia os degraus, dona Célia, a fofoqueira, logo observou que a ponta do seu vestido estava manchada de sangue, e foi logo dizendo ao pé do ouvido de outra linguaruda:- Vê, Efigênia, o vestido dela está melado de sangue. Tenho certeza como tem Deus no céu, que andou de safadeza por aí com algum velho.
          Efigênia, sem papas na língua, foi logo soltando o seu veneno: - Que velho sem-vergonha deflorou a “bichinha”, inocente, caipira? Essas moças de hoje em dia são tão bobinhas, caem na conversa de qualquer um, não é mulher? Será que não foi o seu velho? Andam dizendo por aí que você “não dá mais no coro”, é verdade? Ainda dizem, que ele está soltando fogo pelas “ventas”, tá cheio de energia, sentindo-se um garotão de quarenta. Será que foi seu velho, comadre?!
          Dona Célia, pega de surpresa, pois achava que ninguém sabia de sua vida íntima, dos seus segredos, disparou, dizendo: - Se ele fez uma coisa dessas comigo, mato esse desgraçado, mas, primeiro, capo o infeliz. Depois eu o amarro de cabeça pra baixo, e fico assistindo sua agonia até morrer.  Ele sabe que sou assim. Não admito traição. Já tenho mais de setenta, e ele também.  Não “brincamos” dessas coisas há muito tempo. Ah, se ele fez isso!
          Dona Célia, deu uma pausa, pensou, e disse:- Pensando bem, creio que você está enganada, pois fiquei sabendo que o seu Bartô não dormiu em casa essa noite passada, comadre, onde ele estava?
          Comadre Efigênia, meio sem graça, coçou a longa cabeleira – verdadeiro “fuá”– e disse:- Credo, mulher!... Não fale uma coisa dessas do meu santo, não! Ele foi só jogar cartas com os outros. O vício desses nossos homens é jogar a porcaria do “truco”.  Passam horas, noites adentro no baralho, e você sabe disso. Não sabe?
          Dona Célia, categoricamente, disse: - É, comadre, "pimenta nos olhos dos outros é refresco!". Santo, nenhum homem é. Em se tratando de “rabo de saia”– ainda mais, novinha - todo homem quer; é sem-vergonha. Já viu falar o ditado que “bode velho baba por uma cabritinha nova?”. Pois é...  O meu, hoje, não é mais aquele garanhão da mocidade. Traía-me com qualquer vagabunda. Era fissurado numa “mocinha”. Não aguentava ver uma e, dizia que aquilo tinha cheiro de vida. Até que um dia eu lhe dei uma surra daquelas, quase o matei, e lhe prometi, por todos os santos do céu, que, se um dia me traísse de novo, não o perdoaria. Logo, comadre, é bom averiguar essa história de baralho, to sentindo que aí tem coisa das "brabas". Tem macaca nova no galho!!!
          Dona Efigênia arregalou seus olhos grandes e negros, amarelou, e disse balbuciando: - Ah, meu Deus! Será que foi ele? Ela foi desfalecendo... E, dona Célia preocupada, começou a abanar sua comadre, e dizia-lhe que era brincadeirinha, imaginação fértil, que era uma lorota. Bobagem... A amiga, aos poucos, foi se restabelecendo e zarpou.
          A mãe de Edviges, que num cantinho imperceptível ouvira aqueles mexericos, dizia a si mesma: Isso não pode ter acontecido com a minha filha... Se algum velho safado fez isso, eu mato.
          Quando dona Marcelina foi ter com a filha, a porta do quarto estava fechada, só se podia ouvir o barulho do chuveiro ligado e o choro de Edviges. Sua mãe implorou para que ela abrisse a porta, mas tudo que conseguiu ouvir da filha foi que estava cansada e lhe deixasse em paz.
          No outro dia Edviges desceu cedinho para tomar o café e ir para o colégio. A mãe, ao vê-la, foi logo falando:- Minha filha, onde dormiu à noite passada?  Responde, menina!... Eu estou falando com você?!!!
          Edviges, nada respondeu, permaneceu estranha, como se nada tivesse acontecido. Acendeu um cigarro do pai que estava sobre a mesa, causando mais estranheza na mãe, pois ela não fumava. Vendo a filha se engasgar, pois não sabia tragar, nervosa, falou enfurecida: - Agora fuma também?!  O que está acontecendo com você? Onde passou a noite?
           Naquele momento, como se tivesse sido teletransportada, simplesmente, apagou o cigarro e, calma, respondeu:- Nada mamãe. Se a senhora quer saber sobre o que aconteceu, eu não sei lhe explicar. Eu só me lembro que estava indo para a casa de Isabela, quando me deparei com uma coisa. Ele avançou em mim e eu caí, devo ter batido com a cabeça numa pedra, e não me lembro de nada... A propósito, papai está melhor?
          Balançando a cabeça, negativamente, desconfiada daquela conversa, resolveu fingir que acreditava na filha, era o melhor a fazer naquela hora, e disse: - Sim, minha filha, seu pai está bem melhor, agora, que você voltou sã e salva. Acho bom você se apressar com o café e ir para a escola, senão vai chegar atrasada. Falei com a professora e ela vai lhe dar uma nova prova. Aliás, não quero que você saia mais à noite sozinha, mais uma dessa, eu e o seu pai não aguentaremos.
          Edviges, sem graça, respondeu à mãe: - Eu sei, mamãe, não se preocupe, isso não vai mais se repetir. O que Edviges não sabia, era que a cidade inteira estava comentando, maldosamente, sobre a sua honra. Houve muito tititi sobre aquele episódio.  Ela perdeu muitas amigas por isso.
        Já havia passado dois meses e meio desde o acontecido, quando Edviges começou a notar algo estranho em seu corpo. Seus seios estavam maiores e doía, a menstruação atrasada, sentindo enjoos, e muito sono. Quando a mãe descobriu a gravidez da filha resolveu inventar para a sociedade, e até mesmo para o padre, que ela estava gestante de uma coisa doutro mundo. Que, no dia do seu sumiço, um disco voador aterrissou e alguém se aproveitou da pobrezinha.
          Pouca gente acreditou nessa história. As fofocas aumentaram ainda mais. Acirraram-se as bisbilhotices. Por onde a garota passava era apontada como vadia, e que aquele filho era fruto de um adultério, filho de seu Bartô – o marido de dona Efigênia. O que o levou a ter a fama de “papa-anjo”, de pedófilo, “comedô”. O homem “ficou em papos de aranha” na cidade. Perdera os velhos amigos. Andava triste, cabisbaixo, não era mais o homem alegre de antes. O falatório se encarregou de transformar aquela mentira numa verdade absoluta, e o homem foi condenado, sem ao menos ter a chance de se defender.
          A cidade ficou polvorosa. Os comentários, nas rodinhas de aposentados, eram: “- Como Bartô, naquela idade, havia conseguido tal proeza, embuchar aquela jovenzinha...”.  Isso causou inveja e deixou muitos velhos excitados. Alguns chegaram a se engraçar com as moças mal faladas. Outros chegaram a oferecer todo o seu salário em troca de um carinho mais fervoroso. Foi um “deus nos acuda!” As meninas ficaram aturdidas. Mas, somente a Gaia – a fácil – cedeu, e depenou até o último centavo de meia dúzia de velhinhos desesperados.
          O que os cidadãos de Santana do Sul não sabiam, era que algo de sobrenatural estava acontecendo e desejava as moças daquele lugar. Já era mais de meia noite, quando Isabela Caputte foi despertada por um longo beijo roubado que a enlouquecera de prazer, foi envolvida, tomada e amada, nunca havia sentido nada igual antes. Aquele momento foi mágico, foi lindo. Ao acordar não sabia se tinha sido real ou se havia sonhado mesmo.
          O moço enfeitiçava todas as mulheres. Ele se transformava no homem dos sonhos de cada uma, por isso, era irresistível. Sabia como e quando devia aparecer e tocá-las, possuí-las. Nem uma resistia aos seus encantos.
          Isabela foi amada numa noite de magia, prazeres e mistérios. Ao acordar descobriu que tinha sido deflorada pelo homem de seus sonhos. Chorou, depois pensou: “provei o gosto gostoso do pecado...”. Em seguida, sorriu, e pensou novamente: “Quem me fez mulher? Quem?”.
          Passado algum tempo, ela começou a sentir os sintomas da gravidez. Foi então que resolveu contar tudo à sua amiga, Mariana: -  Pimentinha, tô frita!
          Morrendo de curiosidade, disse: -  Conta logo!... Isabela Caputte, meio sem graça, contou sua história advertindo: - Então ouça e não me interrompa.  Há um mês estava no meu quarto dormindo, quando fui despertada por um longo beijo roubado, fazendo-me ficar sem forças. Aquele era o homem dos meus sonhos. Fascinou-me, seduziu-me, e, então, fui tocada, não resisti e me entreguei de corpo, alma e mente. Foi eletrizante.  Foi um anjo que caiu em minha cama e tomou posse de mim. Hoje, tenho certeza que estou esperando um filho dele, tenho os mesmos sintomas que Edviges dizia sentir no início de sua gestação.
          Mariana teve uma crise de risos e disse à amiga: - Conta outra, Isabela... Tá bom!  Quase acreditei nessa sua história Shakespeariana. Mas, por favor, tenha a santa paciência! Um rapaz lindo, aqui em Santana do Sul, e, ainda por cima, com tal poder de sedução?! Você está inventando isso para não ficar falada também, não é?  Foi o mesmo velho tarado – seu Bartô – não foi? Agora, não adianta guardar segredo. Todo mundo vai saber. Se o filho é dele, o velhinho é porreta mesmo! Até que enfim, um homem está resolvendo os problemas das moças deste lugar nojento, deste fim do mundo! Agora, você está arrependida, e vem com uma história bonita dessa?
          Isabela começou a chorar, e disse: - Sabia que você não ia acreditar em mim. Tudo o que disse é verdade, mas, acho que você está certa, em parte: este homem é um mistério. Será um anjo mesmo ou um demônio?!!!
          Mariana, vendo a preocupação da amiga, percebeu que aquilo não era uma brincadeira; que falava sério. Resolveu investigar melhor àquela história, e perguntou: - Como assim, um mistério?  Você perdeu a sua virgindade e engravidou de uma pessoa, e não sabe nem quem é?
          Isabela começou a explicar à amiga:- Ele é uma espécie de zumbi, entende? Um cara lindo, mas, estranho. É o que me leva a acreditar que ele não é daqui.  Sua juventude e seu vigor físico é deslumbrante.  Seu rosto de anjo, e, principalmente, sua voz, inconfundível... E àquele perfume... É o mais aromático que já senti em toda a minha vida. Meu corpo ainda tem o cheiro dele. É um homem irresistível. Não tem nada a ver com o coitado do seu Bartô. Aquele velhinho não faz mal nem para uma mosca morta... Aquele Anjo Loiro é o homem do meu sonho.
          Foi aí que Mariana ligou os fatos sobre o que havia acontecido com Edviges, e foi dizendo: - Esse perfume do qual você está me falando é o mesmo que a Edviges me disse ter sentido também. Eu bem que desconfiei daquela história absurda de ter sido engravidada por um “ET” conforme a mãe  dela disse.  Desconfiei também dos boatos de que teria sido o pobre daquele velho.  Por mais desesperada que esteja uma de nós, é impossível sentir tesão por um velho gagá, babão daquele! Perdoa-me, amiga! Vou desvendar esse mistério, custe o que custar!
           Mariana deu com a boca no mundo, salvou o casamento do seu Bartô – que voltou a conviver em paz com a sua esposa e com os amigos.  Mas ela deixou a cidade em pé de guerra, assombrada, com a notícia de que um bonitão atacava as virgens, as ninfetas e as mulheres bonitas e mal-amadas. Foi como se tivesse jogado uma bomba no coração de cada família e quebrado certos tabus.
Depois que a notícia ganhou repercussão regional, teve moça que deixava a janela do quarto aberto, na esperança de ser amada pelo famoso “bonitão”.  Os comentários eram tão fortes, que até algumas senhoras casadas – mal-amadas, aderiram à ideia também.
          A cada dia, sempre depois da meia noite, ele fazia mais uma vítima. Nem mesmo a neta do delegado escapou de sua sedução. Foi paixão ao primeiro toque de amor. Como um anjo, desposou-a carinhosamente... Pedrina contava sem rodeios que tinha sido tocada por ele como sonhava, como lia nas fotonovelas... Dizia: “Foi romântico, foi lindo, foi eterno... Ele é o meu anjo loiro”. Engravidou também.
          O falatório deu “corda” aos desejos insaciáveis. Foi então que o delegado resolveu caçar O ANJO LOIRO – vigiando as janelas. Fazia rondas cada vez mais modernas, utilizando-se de tecnologia avançada que dispunha, ou a que conseguia através da Secretaria de Justiça do seu Estado. Mas, nada conseguia detectá-lo. O homem tinha um pacto com as forças do além. Nunca visitava a mesma amada duas vezes. O homem era um procriador.  A pergunta era: De quem? Por quê?
          Havia se passado seis meses e a polícia não o identificou. O tempo foi se passando, e “O Anjo Loiro” foi conquistando simpatizantes. Já havia gente que desejava que ele possuísse a sua filha para ter netos e ver a continuidade de sua geração. As janelas abertas de famílias tradicionais denunciavam o sinal de aprovação. Muitos velhos assinaram um documento exigindo que o delegado abandonasse o caso, que deixasse o homem encantado em paz, que pudesse aparecer livremente e sem medo, mostrasse a sua face.
          Quando nasceu o primeiro bebê, lindo e fofo, a polícia parou de caçar o Anjo Loiro... O povo pedia e rezava para que a sua filha fosse a próxima escolhida. Aquela criança deu vida e esperança à população daquele lugar esquecido do mundo. Aos poucos, foi nascendo uma após outra, e o crescimento daquela cidade foi inevitável. O perfil das crianças era de acordo com o sonho das possuídas.
          Após alguns anos, os meninos loiros, morenos, negros, japoneses e de todas as raças e sonhos, povoaram aquele lugar que dantes estava condenado a desaparecer do mapa. Eram muitos, e a cidade ganhou cara e vida nova. Seu número de habitantes passava de sete mil, e todos eram parentes.  Tornaram-se patriotas a tal ponto que nasciam e morriam ali, sem ter vontade ao menos de conhecer outro lugar. Ali era o paraíso do mundo. As mulheres responsáveis por essa geração eram idolatradas pelos seus descendentes.
          Muitas moças e mulheres de outras localidades iam aos bailes e às festas na cidade dos meninos belos: Os filhos do Anjo Loiro – atraídas pela beleza e a fama do vigor físico que tinham.  As moças que apareciam lá, logo ficavam apaixonadas. Namoravam, noivavam e se casavam. Os filhos dessa geração eram criaturas abençoadas.
          O Anjo Loiro, satisfeito com a sua criação, resolveu confidenciar o seu segredo para o seu verdadeiro amor, dizendo:- Sou um espírito de luz. Tudo o que fiz foi por amor a este lugar que estava condenado a desaparecer. Sou a semente da vida...  Lá de cima, senti o seu fim. Foi-me dada à missão de povoá-lo. De acordo com o sonho de cada mulher renascia a minha esperança... Por isso eu me transformei de acordo com o homem que cada uma queria. Mas, eu me apaixonei por você. Pedi para o meu superior, para que eu me reencarnasse e pudesse viver como um ser humano e me casasse contigo. Somente você, Edviges, sabe disso. Ninguém nem desconfia que sou o pai dessa enorme geração. Sou um homem feliz por ser o progenitor de tantos sonhos e poder ter salvo esta cidade. Todavia estou mais feliz por ter encontrado o meu amor. Fui um sonho real para muitas, porém, vivo a minha realidade...  Você é, foi e será o meu sonho vivo eternamente, te amo!
          Edviges sorriu feliz da vida e pode entender o seu destino finalmente... Deu-lhe um beijo fogoso e o amor tomou conta daquele ambiente.

Fernandes, Osmar Soares, 1961,
Crisálida: a motivação da vida /
OSMAR SOARES FERNANDES,
Curitiba/PR, Editora Torre de Papel;
 1º edição, 2003, pág. 79 - 87
 (CDD (20ª ed./ B869.85)